O 44º Encontro Nacional de Sindicatos de Arquitetura e Urbanismo (ENSA) inicia na próxima semana – de 30/11 a 06/12 – em formato digital e com uma pauta repleta de temas de interesse da profissão, das cidades e da sociedade. Além de todas essas questões, o ENSA traz para a mesa de debates um cenário The post 44° ENSA começa na próxima segunda feira em formato digital appeared first on FNA.Read More

O 44º Encontro Nacional de Sindicatos de Arquitetura e Urbanismo (ENSA) inicia na próxima semana – de 30/11 a 06/12 – em formato digital e com uma pauta repleta de temas de interesse da profissão, das cidades e da sociedade. Além de todas essas questões, o ENSA traz para a mesa de debates um cenário desafiador: pandemia com seus reflexos no emprego e perda de renda e garantias dos trabalhadores, crise sanitária agravada com a privatização do sistema de saneamento no país, restrição às políticas públicas, aumento da desigualdade social nas cidades e eleições municipais.

Diante dos impactos sociais, ambientais e econômicos, a Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) escolheu como tema central do evento deste ano “O trabalho transforma o espaço: arquitetura e urbanismo nas periferias do mundo”. Esse será o norte do encontro que reúne profissionais de diversos estados do país, na condição de representantes dos sindicatos filiados e como observadores.  Para a presidente da FNA, Eleonora Mascia, o cenário atual instiga muitos debates, o que promete enriquecer as discussões entre arquitetos e representações de diversas áreas. “Será o momento para discutirmos alternativas para o futuro, num enfrentamento ao corte de verbas para áreas fundamentais como habitação, saúde e saneamento, educação e cultura, além de marcar nossa posição com identidade de classe, em favor da democracia e em defesa das políticas públicas para redução das desigualdades”, pontuou Eleonora. O debate pretende alinhar estratégias de atuação da federação e sindicatos para o próximo ano.

A programação do ENSA neste ano ficará concentrada no turno da noite, com exceção da programação de final de semana.  Na ampla programação, destaque para entrega do 15º Prêmio Arquiteto e Urbanista do Ano e o Prêmio FNA 2020, programados para a noite de sexta-feira (4/12), às 19h e 30min. Neste ano, os agraciados são a Maria Inês Sugai (Arquiteta e Urbanista do Ano) e o projetos Salve Natal, Paraná Contra a Covid-19 e Gentileza Urbana (Prêmio FNA 2020). Logo após, será promovida a segunda noite do Sarau Cultural, com diversas manifestações artísticas.

 

DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO DO 44º ENSA-DIGITAL 

 30/11 – SEGUNDA-FEIRA

19h – MESA DE ABERTURA: “O Trabalho Transforma o Espaço: Arquitetura e Urbanismo nas Periferias do Mundo”

Mediação: Eleonora Mascia e Ormy Hütner (FNA)

Convidados: Silke Kapp (FAU/UFMG) e Ladislau Dowbor (economista social, autor de ‘O capitalismo se desloca – novas arquiteturas sociais’)

Participação de Luciano Guimarães (presidente do CAU-BR) e Vagner Freitas (vice-presidente da CUT Nacional)

21h – Lançamento do projeto ‘Régua e Compasso’, do Arquiteto Ângelo Arruda

 

1/12 – TERÇA-FEIRA

19h- As cidades em tempos de pandemia: os riscos são iguais para todos?

Mediação: Ormy Hutner (FNA)

Convidados: Nilton Bahlis dos Santos (Next-Fiocruz), Fernando Pigatto (CNS) e Valeska Peres Pinto (FNA)

 

2/12 – QUARTA-FEIRA

19h – Novas formas de produção, outras arquiteturas sociais?

Mediação: Patryck Carvalho (FNA)

Convidados: Ion de Andrade (BrCidades), Malu Refinetti (FAU/USP) e Mariana Bontempo (Arquitetos DF)

 

3/12 – QUINTA-FEIRA

19h – Software Livre para Arquitetura e Engenharia – Lançamento do Projeto Solare

Mediação: Danilo Matoso (FNA)

Convidados: Yorik van Havre (FreeCad) e Francieli Schallenberger (FENEA)

20h30 – Os Sindicatos e o Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro

Mediação: Danilo Matoso (FNA)

Convidados: Nivaldo Andrade (coord. Fórum do Patrimônio) e Inês Martina Lersch (coord. Adjunta Fórum do Patrimônio)

 

4/12 – SEXTA-FEIRA

19h30 – Entrega do 15° Prêmio Arquiteto e Urbanista do Ano e Prêmio FNA 2020

Mediação: Fernanda Lanzarin (FNA)

20h30 – Sarau Cultural

 

5/12 – SÁBADO

15h – Balanço das Eleições Municipais e perspectivas para gestão das cidades – ‘Carta Aberta à Sociedade e aos(às) Candidatos(as) nas Eleições Municipais – Um Projeto de Cidades Pós-pandemia’

Mediação: Eleonora Mascia

Convidados: Entidades do CEAU com participação de Nabil Bonduki (FAU/USP), Evaniza Rodrigues (Coletivo + Direito à Cidade – SP), Tainá de Paula (RJ) e Edmilson Rodrigues (PA)

 

 

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O Sindicato dos Arquitetos no Estado do Rio Grande do Sul (Saergs) divulgou, nesta segunda-feira (23/11), os resultados do Prêmio Arquiteto e Urbanista do Ano 2020. Na categoria Setor Público, a arquiteta e urbanista Maria Tereza Fortini Albano foi a vencedora; no Setor Privado, foi escolhido o profissional Nino Roberto Schleder Machado. Na categoria Jovem The post Conheça os vencedores do Prêmio Arquiteto e Urbanista do Ano Saergs 2020 appeared first on FNA.Read More

O Sindicato dos Arquitetos no Estado do Rio Grande do Sul (Saergs) divulgou, nesta segunda-feira (23/11), os resultados do Prêmio Arquiteto e Urbanista do Ano 2020. Na categoria Setor Público, a arquiteta e urbanista Maria Tereza Fortini Albano foi a vencedora; no Setor Privado, foi escolhido o profissional Nino Roberto Schleder Machado. Na categoria Jovem Arquiteto e Urbanista, a equipe do projeto de reurbanização do Centro de Conde (PB), formada por Camila Bellaver Alberti, Jean Michel Fortes dos Santos, Mariana Mocellin Mincarone e Douglas Silveira Martini. Para atuação em Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (ATHIS), a arquiteta e urbanista Terezinha de Oliveira Buchebuan. A Homenagem Póstuma de 2020 será feita ao arquiteto e urbanista Militão de Morais Ricardo, falecido em setembro de 2020.

A votação se deu por meio de site e formulário no período de 09 a 20 de novembro. Segundo o presidente do Saergs, Evandro Babu Medeiros, a homenagem aos profissionais é afetiva. “Nesse ano de pandemia, em que todas as vidas importam, não se trata de estimular ou promover competitividade dentro da categoria, já que o Rio Grande do Sul sempre formou excelentes profissionais, que se destacam em suas carreiras ou pelas bandeiras de atuação da classe, mas de permitir à categoria dizer quem, de alguma forma, ela pretende homenagear. Todas as indicações são figuras importantes para a Arquitetura e o Urbanismo, não só pela atuação individual, mas também pela representação de toda a classe”.
A entrega dos prêmios ocorrerá na quinta-feira (26/11), seguindo protocolos sanitários. Cada premiado terá um horário marcado para visitar a sede do Saergs e receber sua honraria. A cerimônia será realizada no pátio para assegurar o cumprimento de todas as normas de segurança contra a Covid-19.

O prêmio conta com o patrocínio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do RS (CAU/RS) e apoio de Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas (FNA), Institutos de Arquitetos do Brasil Departamento do Rio Grande do Sul (IAB/RS), Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), Associação de Arquitetos de Interiores do RS (AAI/RS) e Federação Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (FeNEA).

Saiba mais sobre os Arquitetos e Urbanistas do Ano 2020:

Categoria Setor Público
Maria Tereza Fortini Albano
Arquiteta, mestre em planejamento urbano e regional, especialista em Desenho Urbano e em Planejamento Urbano, trabalhou praticamente durante 35 anos no setor público, especialmente na antiga Secretaria Municipal do Planejamento de Porto Alegre onde permaneceu até 2012. Entre esta data e 2014 foi técnica da Secretaria Municipal de Urbanismo onde se aposentou da atividade pública, passando a ter uma atuação mais voltada para a diversidade das questões urbanas, dentro e fora de entidades como o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Rio Grande do Sul, onde foi vice presidente na gestão 2017-2019 e coordenadora da Comissão Cidades por 7 anos.
Na prefeitura, integrou a coordenação técnica da equipe que construiu a proposta aprovada em 1999 do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental – o PDDUA de Porto Alegre e acompanhou o processo de implementação deste plano, bem como o período de vigência do 1º Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, o PDDU de 1979. Coordenou estudos, participou de equipes e comissões e representou a secretaria em eventos nacionais e internacionais.

Categoria Setor Privado
Nino Roberto Schleder Machado
Professor fundador da UPF e fundador do curso de Arquitetura e Urbanismo da UPF. Está à frente do escritório NR Arquitetos há 48 anos. Em Passo Fundo foi responsável por traçados urbanísticos na Avenida Brasil, na Rua Moron, na Avenida General Netto, na Praça Menegaz e na Praça do Teixeirinha. Na Arquitetura Institucional, projetou o Fórum de Passo Fundo; Biblioteca do SESI; Biblioteca Central da UPF; Faculdade de Odontologia UPF; Pórtico da UPF; Instituto de Anatomia UPF, entre outras. No setor empresarial, conta com projetos e obras como o Centro Administrativo da Grazziotin S.A.; GZT; Hotéis Itatiaia, Hotéis Bertaso, Mogano Premium e Mogano Business em Chapecó. Hoje, ainda à frente do escritório próprio, atua na área de projetos hospitalares.

Categoria Jovem Arquiteto
Equipe da Reurbanização do Centro de Conde/PB: Camila Bellaver Alberti, Jean Michel Fortes dos Santos, Mariana Mocellin Mincarone, Douglas Silveira Martini
Camila Bellaver Alberti, Jean Michel Fortes dos Santos, Mariana Mocellin Mincarone formaram-se em Arquitetura e Urbanismo pela UFRGS em agosto de 2018, e, em novembro do mesmo ano, juntamente com Douglas Silveira Martini (então graduando da mesma instituição), elaboraram o projeto que venceu o concurso público nacional de Arquitetura e Urbanismo organizado pela Prefeitura Municipal de Conde para a Requalificação do Centro de Conde/PB. A equipe foi contratada para desenvolver os projetos executivos de urbanismo, paisagismo, infraestrutura urbana, arquitetura e complementares. Foi a primeira experiência profissional do grupo recém egresso da Universidade. Durante o ano de 2020, a obra encontra-se em fase final de execução.

Categoria Athis
Terezinha de Oliveira Buchebuan
Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Planejamento Urbano e Regional na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – PROPUR/UFRGS, na linha de pesquisa Planejamento e Espaço Urbano e Regional. Mestrado em Letras, Cultura e Regionalidade pela Universidade de Caxias do Sul (2010). Graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Caxias do Sul (2005). Atualmente é Professor Mestre Assistente II da Universidade de Caxias do Sul. Experiência na área de Arquitetura e Urbanismo atuando principalmente nos seguintes temas: Evolução Urbana, Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social, Projetos Comunitários Participativos, Patrimônio Cultural. Coordena o escritório modelo Taliesem, da UCS.

Homenagem Póstuma
Militão de Morais Ricardo
Natural de Bagé, Militão formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1957. Foi um dos pioneiros em questões relacionadas ao urbanismo e conservação ambiental, tanto no Estado quanto no Brasil, destacando-se pelo Projeto Corredores Ecológicos, um dos projetos que compunha o Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil, preservando a biodiversidade e nossas reservas naturais, no início dos anos 2000.Militão lecionou na Faculdade de Arquitetura da UFRGS, mudando-se para Brasília na década de 1970. Antes, atuou no IAB na gestão 1966/67, e foi membro do Conselho Fiscal da Associação dos Profissionais Arquitetos de Porto Alegre, entidade precursora do Sindicato dos Arquitetos no RS (SAERGS). Faleceu em setembro de 2020.

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Assassinato deveria impulsionar o debate sobre o padrão cultural e modelo de mobilidade e segurança no trânsito que os governos defendem Há dois domingos, estava em campanha no Jardim Bandeirantes, na extrema periferia de Guaianazes, caracterizado por ruas estreitas e íngremes e calçadas de oitenta centímetros, quando um amigo me chamou no celular. “Você não The post Pedale como Marina e, como ela, lute pelo direito à cidade appeared first on FNA.Read More

Assassinato deveria impulsionar o debate sobre o padrão cultural e modelo de mobilidade e segurança no trânsito que os governos defendem

Há dois domingos, estava em campanha no Jardim Bandeirantes, na extrema periferia de Guaianazes, caracterizado por ruas estreitas e íngremes e calçadas de oitenta centímetros, quando um amigo me chamou no celular. “Você não viu as notícias? Precisa vir para o ato na avenida Paulista. A comoção é geral com o atropelamento da cicloativista, a Marina, que morreu na hora…”. Marina, que Marina? perguntei. “A Marina Harkot!…”

Fiquei mudo e com a vista turva, no meio daquela imagem de precariedade à minha volta. Era ela mesma, a Marina que tinha sido minha monitora na disciplina da planejamento e que fazia pós-graduação na FAU. Sua imagem firmou-se na minha imaginação. A Marina sorridente, de uma alegria contagiante. Meu dia de campanha em Guaianazes acabou naquele momento. Peguei uma carona até a estação de trem, calculando se chegaria a tempo na avenida Paulista para uma despedida simbólica. Entrei no trem pensando em como minha visão sobre a cidade, já tão consolidada, estava mudando desde que desisti de ter carro. A Marina teria gostado de saber, abriria aquele sorriso lindo, mas nem cheguei a contar isso para ela, pois não nos falamos nesse ano, afastados pela pandemia.

Em 2017, nos intervalos de atendimento aos alunos, ela me explicava várias coisas sobre gênero na mobilidade, tema de sua dissertação de mestrado. Discorria sobre as razões que prejudicavam o uso da bicicleta pelas mulheres nas grandes cidades e porque a escolha dos caminhos era tão diferente entre as mulheres e os homens, em função do risco de violência e assaltos. Nos anos seguintes, cruzei com ela muitas vezes nas rampas da FAU e conversamos sobre os desafios de pedalar em São Paulo, sobre a necessidade da rua ser compartilhada e sobre os caminhos para mudar o modelo de mobilidade de São Paulo. Pesquisadora vibrante, Marina conseguia intercalar sua atividade acadêmica e profissional com o ativismo político. Enquanto estudava gênero na mobilidade ativa, atuava em coletivos de cicloativismo, lutando por políticas públicas que alterasse a lógica e a cultura de mobilidade que privilegia o automóvel que, simbolicamente, se tornou seu algoz. Em seu doutorado, mais voltado para a interseccionalidade, pesquisava como gênero, raça e sexualidade se relacionam com a segregação socioterritorial. Para ela, o medo, que afeta diferentes segmentos sociais, como mulheres, negros e os LGBTQIA+, retira a liberdade de usufruir as múltiplas oportunidades oferecidas pela grande cidade. Esse medo afeta o direito a mobilidade das mulheres, que evitar, por exemplo, a circulação noturna e em determinados lugares. Mas não limitava Marina.

Atropelada na avenida Sumaré, à meia noite de um sábado, aos 28 anos, Marina teve sua brilhante carreira interrompida por um modelo da cidade e por uma cultura machista e carrocêntrica que ela pesquisava, denunciava e lutava para mudar. Quando essas tragédias acontecem com pessoas que admiramos elas deixam de ser estatísticas e ganham concretude. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), 13.718 ciclistas morreram no trânsito nessa década no Brasil. A grande maioria morreu anonimamente. Quem foram os outros 23 ciclistas que já morreram nesse ano e os 36 que faleceram em 2019 em São Paulo (dados do Infosiga)? São invisíveis, mas eles também tem um rosto e uma história que precisa ser contada. Marina foi atropelada pelo microempresário José Maria da Costa Júnior, 34, que fugiu sem prestar atendimento.

Segundo as investigações da Polícia Civil, José Maria havia ingerido bebidas alcóolicas e o Fantástico mostrou seu carro circulando a 90 km/h em uma avenida próxima ao local onde cometeu o crime. Quando perguntado por que não socorreu a vítima, o homem declarou ao programa da Globo que “não tinha noção do que tinha acontecido, de que alguém pudesse estar machucado, se era um roubo, se era alguma coisa… Como tinha mais gente lá, que tivesse até mais condições de socorrer, eu entreguei que as pessoas pudessem socorrer essa pessoa”. Ele foi filmado no elevador de seu edifício, alguns minutos após o crime, dando risadas. A postura arrogante e prepotente de José Maria, que foi indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), revela uma cultura urbana consolidada que precisa ser revertida para evitar novas tragédias.

Não se trata apenas de punir exemplarmente o homicida, superando a tradicional impunidade dos crimes de trânsito, mas de promover programas de reeducação para uma nova cidadania. José Maria é apenas um triste exemplo de um comportamento amplamente difundido entre os motoristas. A maioria ainda não aceita que, de acordo como o Código Nacional de Trânsito, “o maior deve sempre cuidar do menor, ou seja, o carro motorizado deve ter o cuidado maior com o ciclista”. A visibilidade do assassinato de Marina deveria impulsionar o debate sobre o padrão cultural e modelo de mobilidade e segurança no trânsito que os governos defendem. Em São Paulo, o lema Acelera SP e o aumento das velocidades das marginais, adotados pela prefeitura em 2017, deram uma sinalização negativa para a sociedade.

A repercussão do caso deve servir para que os candidatos a prefeito de São Paulo e das outras 51 grandes cidades onde ocorrerá o segundo turno da eleições respondam cinco perguntas básicas:
O que farão para alterar o modelo de mobilidade da cidade, revertendo a histórica prioridade dada ao automóvel?
O que farão para restringir o espaço viário que o carro ocupa em benefício do transporte coletivo, dos pedestres e das bicicletas?
O que farão para reduzir a velocidade dos automóveis e das motos nas cidades, considerando que uma redução de 5% na média de velocidade pode diminuir o número de mortes em 30%, segundo a OMS?
O que farão para ampliar a segurança dos pedestres e dos ciclistas e o direito à mobilidade para mulheres, negros e LGBTQIA+?
O que farão para mudar a cultura urbana dos motoristas, introduzindo uma nova postura baseada na civilidade e no compartilhamento do viário?

São perguntas que, tenho certeza, Marina gostaria de ver respondidas.

Nabil Bonduki
Professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, foi relator do Plano Diretor e Secretário de Cultura de São Paulo.

Texto publicado em 23 de novembro de 2020 no site do jornal Folha de São Paulo

Foto: cifotart/iStock

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A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) manifesta sua mais profunda consternação e repúdio ao episódio que resultou na morte de mais um brasileiro negro, vítima do despreparo, do racismo, da intolerância e da brutalidade. Neste 20 de Novembro – Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, quando deveríamos estar comemorando a luta The post NOTA FNA appeared first on FNA.Read More
A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) manifesta sua mais profunda consternação e repúdio ao episódio que resultou na morte de mais um brasileiro negro, vítima do despreparo, do racismo, da intolerância e da brutalidade.
Neste 20 de Novembro – Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, quando deveríamos estar comemorando a luta de negros e negras por igualdade de direitos e políticas públicas mesmo em meio a um governo que despreza a luta anti-racista, nos deparamos com mais uma barbárie que expõe a estrutura racista enraizada neste país. João Alberto Silveira Freitas, o Beto, era um brasileiro, negro, 40 anos, trabalhador, casado. Foi espancado até a morte por seguranças em um supermercado de Porto Alegre.
A FNA, junto com seus sindicatos filiados e a sociedade civil em todo o Brasil, está mobilizada e espera que os responsáveis sejam punidos no mais alto rigor da lei para que a impunidade não deixe margem para outros episódios brutais como esse.
Diretoria da FNA 2020/2022

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Mais de 40 livros publicados, autor de diversos artigos, professor titular de pós-graduação da PUC-SP, economista, cientista social, Doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, Polônia (1976), consultor para diversas agências das Nações Unidas, governos e municípios. Estamos falando de Ladislau Dowbor, nascido na França, mas que veio muito The post Renda na base da sociedade é o primeiro passo para o desenvolvimento, defende Dowbor appeared first on FNA.Read More

Mais de 40 livros publicados, autor de diversos artigos, professor titular de pós-graduação da PUC-SP, economista, cientista social, Doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, Polônia (1976), consultor para diversas agências das Nações Unidas, governos e municípios. Estamos falando de Ladislau Dowbor, nascido na França, mas que veio muito jovem com a família para o Brasil durante a 2° Guerra Mundial. Dowbor será um dos painelistas da mesa de abertura do 44° Encontro Nacional dos Sindicatos de Arquitetos e Urbanistas (ENSA), no próximo dia 30/11, às 19h.

Aos 79 anos, Dowbor tem uma agenda cheia de compromissos. Quando contatado, estava produzindo conteúdo para o Economia de Francisco, evento cultural, plural e internacional que acontece de 19 a 21/11, uma convocação do Papa Francisco que busca reunir e articular pessoas e organizações que desejam construir um sistema econômico mais justo, inclusivo e regenerativo.

Para o economista, o Brasil passa atualmente por uma convergência de crises, não apenas a pandêmica, e a classifica em três grandes dimensões: a catástrofe ambiental – perda de solos produtivos, redução da biodiversidade, aquecimento global-; um sistema financeiro nefasto – onde predomina a exploração de pessoas e empresas por meio do superendividamento capitaneado por uma taxa de juros surrealista-; e a desigualdade social, fruto de toda uma ‘política econômica’ que proporciona a todos, inclusive a comunidade periféricas, o acesso a moedas magnéticas. “Na periferia é difícil encontrar um morador com 10 reais no bolso, mas qualquer pessoa tem um cartão, se sujeitando a tarifas abusivas e a taxas de juros que superam 400% ao ano”. Segundo ele, transações com moedas imateriais em um país como o Brasil ajudaram a aprofundar radicalmente a desigualdade social, assim como vêm penalizando o sistema produtivo e o próprio governo. “Temos 64 milhões de brasileiros adultos que estão ferrados. O Serasa gosta de chamar de negativados, mas eu não”, afirma.

Para Dowbor, as quatro grandes crises (contando com a pandemia) geram problemas em todo o mundo, mas no Brasil o cenário “é imensamente mais grotesco pelo fato não temos nenhum controle efetivo de governo sobre os nossos processos econômicos internos”.  Reorganizar o sistema financeiro, de forma que se voltasse a financiar mudanças e sistemas como o energético, de transporte, ajudasse a reduzir as desigualdades e a dinamizar a economia. Essa é a visão de mudança defendida pelo economista para fazer frente à queda da capacidade de compra das famílias, da capacidade de produção das empresas, do desemprego e da redução de receitas do governo. “Uma taxa de desemprego a 14% acaba com o consumo, compromete as vendas das empresas que, com isso, diminuem a produção, geram menos impostos e a arrecadação tributária despenca’. Este é o círculo vicioso da economia brasileira.

Mas como contornar isso? O economista trabalha com visões coerentes entre si. Primeiro, segundo ele, é necessário assegurar o aumento de renda na base da sociedade – seja por meio do Bolsa Família, de renda básica universal e tantos outros mecanismos que já existem. “O essencial é que chegue mais dinheiro na base da sociedade. Assim, as empresas têm para quem vender e conseguem contratar mão de obra. No entanto, elas precisam também de taxas de juros baixas, e não a 46% ao ano, para financiar a produção. Mas o Brasil não tem nem uma coisa e nem outra. O que temos são famílias, empresas e governo com as contas quebradas, e uma perspectiva de entrarmos no sétimo ano com a economia paralisada’, pontuou, referindo-se ao PIB de 2020, que deve encerrar negativo em 4,5 e 5,0%.

Ladislau Dowbor afirma que a qualidade de vida das famílias depende, por ordem de grandeza, de dois fatores: dinheiro no bolso e acesso a bens de consumo coletivo.  Neste último aspecto entra o dever do Estado e de políticas públicas sociais. “O cidadão não pode comprar uma delegacia, mas precisa de segurança, não pode comprar um hospital, mas precisa de saúde, não pode comprar uma pracinha, mas precisa de lazer.” Segundo ele, esse é um conjunto de processos que começa com a necessidade de renda das famílias e passa pelo acesso a infraestruturas em sistemas públicos, universais e gratuitos. ‘Essa dimensão social é o pano de fundo para a atuação de arquitetos e urbanistas, lembrando que políticas sociais até podem ser executadas por empresas privadas, mas precisam que a iniciativa, o planejamento e a organização nasçam de políticas públicas sociais”, defendeu o economista, que em 2009 publicou o texto  Política Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Local, que traz  89 propostas práticas para destravar os pequenos produtores, o setor informal, as iniciativas comunitárias. O conteúdo pode ser acessado neste link .

Dowbor ainda mantém um blog com toda a sua produção e trajetória

Foto: Reiko

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