A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) lamenta o falecimento do arquiteto e urbanista Manoel Coelho. A morte foi informada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR) em seu site. O profissional tinha 80 anos e, há dois anos, estava internado em casa, onde fazia tratamento em decorrência de um câncer na The post FNA lamenta o falecimento do arquiteto e urbanista Manoel Coelho appeared first on FNA.Read More

A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) lamenta o falecimento do arquiteto e urbanista Manoel Coelho. A morte foi informada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR) em seu site. O profissional tinha 80 anos e, há dois anos, estava internado em casa, onde fazia tratamento em decorrência de um câncer na bexiga. Coelho deixa a esposa, três filhos e uma neta.

Conforme informações do CAU/PR, Coelho se formou na primeira turma de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1967. Ele também foi professor e coordenador do curso na universidade. Em Curitiba (PR), atuou como arquiteto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (IPPUC). Além disso, contribuiu para o planejamento Urbano da capital paranaense.

Durante sua carreira, Coelho recebeu diversos reconhecimentos, como pelos projetos da 3 ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo e o Grande Prêmio pelo Conjunto da Obra no XV Congresso de Arquitetos Oscar Niemeyer, em 1997. Dentre seus trabalhos de maior destaque está o projeto das instalações da Universidade Positivo, também na capital do Paraná.

Com informações do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR)
Foto em destaque: Jonathan Campos/Arquivo/Gazeta do Povo

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Quem passa à margem de uma comunidade de moradores não sabe o tamanho do enfrentamento diário que ali se desencadeia. São carências de todos os tipos, numa rotina de luta por dignidade e sobrevivência que – felizmente – vem ultrapassando as fronteiras da própria comunidade. As mulheres são maioria, muitas trabalhadoras chefes de família, mães The post 8 de Março: O poder feminino de transformar a vida do outro appeared first on FNA.Read More

Quem passa à margem de uma comunidade de moradores não sabe o tamanho do enfrentamento diário que ali se desencadeia. São carências de todos os tipos, numa rotina de luta por dignidade e sobrevivência que – felizmente – vem ultrapassando as fronteiras da própria comunidade. As mulheres são maioria, muitas trabalhadoras chefes de família, mães e avós que diante de tantas injustiças, vestiram a camiseta de movimentos sociais em busca de melhorias para si e para muitos.  São elas que ouvem, dão voz, compreendem, agem e lideram pelo bem comum e conseguem transformar e dar dignidade a milhares de famílias em situação de vulnerabilidade social e esquecidas pelo poder público.

Neste 8 de Março, a Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) e o Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IIBDU) se uniram para destacar o protagonismo feminino no enfrentamento das mazelas das cidades. De Norte a Sul do Brasil, trouxemos exemplos de líderes comunitárias que perceberam que o direito de existir passa também pelo direito de resistir.

O Especial ELAS PELO DIREITO À CIDADE vai até o final do mês de março, dando voz a lideranças femininas de outros importantes movimentos e entidades espalhados pelo Brasil.

“Arquitetos e urbanistas fazem parte dessa luta, estão próximos da realidade das comunidades e no enfrentamento à falta de políticas públicas para aquele que é um direito fundamental de todo cidadão: o direito à moradia e a uma vida digna’, destaca a presidente da FNA, Eleonora Mascia. A federação, junto com os sindicatos filiados de todo o país, está voltada permanentemente para as causas das cidades, que se fazem urgentes. “Nossa pauta de lutas é pela reforma urbana, por cidades mais inclusivas e para todos e cidades com participação plena e capazes de oferecer o melhor para a sociedade”, pontua a arquiteta e urbanista.

Nesta ação do Dia Internacional da mulher, a FNA e o IBDU destacam o papel de mulheres que batalham para que possam fazer seus direitos. “São exemplos que representam o grande contingente de mulheres  e homens que lutam no Brasil para que de fato a gente possa alcançar o pleno exercício da democracia e da cidadania”, pontuou.

A presidente do IBDU, Betânia de Moraes Alfonsin, reforça que o dia 8 de Março deixa de ser uma data voltada apenas às celebrações e homenagens, e passa a ser marcado pelo protagonismo feminino à frente de diversas lutas sociais que foram evidenciadas pela pandemia da Covid-19, em um contexto que desnudou a desigualdade no território brasileiro. “Elas são aquelas que estão na linha de frente, na confecção de máscaras, na coleta e na distribuição de cestas básicas, na orientação de cuidados com higiene e saúde, na distribuição de alimentos e no contato com os poderes públicos”, ressalta Betânia. Ela destaca que as mulheres, especialmente as que se encontram em maior situação de vulnerabilidade social, ganharam visibilidade também na luta pelo direito à moradia.

“Na pandemia esse movimento se potencializou, uma vez que os despejos realizados no cenário de calamidade pública colocam em risco a vida de milhares de pessoas, privadas das medidas de prevenção à Covid-19, como o isolamento social. São as figuras femininas que adicionam aos seus desafios diários já presentes mais uma luta em prol de suas vidas, de suas famílias e comunidades.’

Conheça quem são as cinco mulheres escolhidas para ilustrar a campanha deste 8 de Março. São líderes comunitárias que representam as cinco regiões do Brasil e têm em seu DNA o compromisso de fazer o bem pelo coletivo. Na semana de 8 a 12 de março, a FNA trará reportagens com o perfil e a trajetória de cada uma delas.

Neila Gomes dos Santos, MLNM de Manaus (AM)
Ainda jovem, aos 18 anos, Neila Gomes dos Santos iniciou seu engajamento pelas causas sociais quando atuava na Pastoral da Juventude de sua cidade. Mas foi na Faculdade de Serviços Social, em 2005, que sua visão compromissada com o próximo se ampliou. Como ela mesma diz, foi ali que efetivamente começou sua militância. Moradora de área de risco em Manaus, sempre teve a necessidade de debater sobre a questão da habitação social, especialmente sobre os Igarapés de Manaus. Fez seu TCC sobre o direito à moradia, mais acabou abordando muito mais o movimento popular.  No curso, se apropriou da política das cidades, seu envolvimento com a causa cresceu, o que acabou a empurrando naturalmente para a liderança do MLNM em Manaus, movimento que ela mesma ajudou a levar para a sua cidade, em 2010.

Elizete da Silva Napoleão, MNLM do Rio de Janeiro (RJ)
Elizete da Silva Napoleão sempre esteve próxima dos movimentos comunitários. Como moradora do Morro do São Carlos, trabalhava comunitariamente por conta da necessidade dos moradores: na década de 1970 não tinha luz nas favelas do Rio e sempre foi necessário se organizar em associações para buscar políticas públicas. Aos 23 anos, foi para a Zona Sul, na comunidade do Cantagalo. Lá seguiu na militância, se aproximou da associação de moradores local e, em 1995, reuniu um grupo de mulheres costureiras como forma de gerar renda local. Além de fomentar a renda das famílias, a iniciativa foi a solução encontrada para evitar que as mulheres transitassem para fora da comunidade por causa da violência. O grupo de costureiras se tornou referência não só pela luta dos direitos das mulheres, mas também por tantas outras demandas da comunidade. Por conta de sua militância, foi reconhecida e acabou se tornando líder do MLNM no Rio e, hoje, também é a representante do movimento nacional pelo seu Estado.

Sarah Marques do Nascimento – Coletivo Caranguejo Tabaiares Resiste!, Recife (PE)
Nascida e criada em Caranguejo Tabaiares, comunidade centenária e pesqueira localizada em meio a área nobre de Recife, Sarah Marques do Nascimento acompanhou a vida toda o descaso de governos com as mais de 5 mil famílias que habitam o local. A comunidade que vive  às margens do Rio Capibaribe, além de falta de infraestrutura sanitária ao longo dos anos, em 2018 sofreu um enfrentamento direto da prefeitura: a gestão queria retirar famílias do local para a abertura de uma via. Naquele ano Sarah trabalhava em um shopping, mas a ameaça a sua comunidade despertou nela o desejo de lutar. Como ela mesma diz, gritou muito pelo direito dos moradores, e foi esse mesmo grito que a trouxe de volta às suas origens e a levou para o trabalho de defesa da sua comunidade. Dali para frente, criou e coordenou o movimento Caranguejo Tabaiares Resiste, teve o apoio dos moradores num movimento que cresceu e se fortaleceu pelo direito de existir por meio de muita resistência.

Ceniriani Vargas da Silva, MNLM de Porto Alegre (RS)
Assim como hoje carrega suas filhas para as lutas, sua mãe também a carregava. Essa é Ceniriani Vargas da Silva, 33 anos, mãe de Dandara (11) e Tainá (5), moradora do Assentamento 20 de Novembro, em Porto Alegre,  coordenadora do MNLM -RS e presidente da Cooperativa de Trabalho e Habitação 20 de Novembro.  Há 14 anos entrou de cabeça no MNLM e foi morar na Ocupação 20 de Novembro, com uma mochila nas costas e muitos sonhos coletivos de transformação social. O Assentamento é fruto de uma luta que se iniciou em 2006, com a Ocupação 20 de Novembro e se concretiza em um prédio público federal, cuja obra foi abandonada há cerca de 50 anos. Ni, como é conhecida, enfrentou um despejo, uma remoção pelas obras da Copa, muita precariedade e  sentiu na pele cada mudança de prioridades dos governos que foram passando. Mas perseverou junto com o pessoal do movimento até conquistar a concessão do imóvel para 40 famílias de baixa renda.

Francisca Ambrósio do Nascimento, Sol Nascente/Pôr do Sol DF

 A transformação do Sol Nascente/Pôr do Sol em região administrativa foi um marco na vida dos quase 90 mil habitantes. Melhorias em infraestrutura foram e estão sendo implantadas para levar dignidade, qualidade de vida e cidadania à região que, pouco a pouco, ganha nova cara. Muito dessa nova realidade foi possível graças a um nome e sobrenome: Francisca Ambrósio do Nascimento, a Dona Chica, 73 anos. Ela participou da construção de uma cidade pela qual lutou desde o início quando chegou a Ceilândia, há mais de 48 anos. A luta foi grande para chegar até a realidade de hoje e Dona Chica está sempre lá, lutando. Os setores habitacionais de hoje ainda são um sonho em construção, ainda falta muito a ser feito. Mas quem duvida que não seja possível quando se trata de Dona Chica, prefeita do Pôr do Sol para mais uma gestão, até 2023.

 

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Debater para poder resgatar e valorizar o uso da madeira na arquitetura e na construção civil. Este será o mote do evento virtual “Arquitetura do amanhã: projetando negócios sustentáveis” que será realizado no dia 11 de março, pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), com o Núcleo da Madeira e a AMATA. The post Evento discute o papel da madeira na arquitetura contemporânea appeared first on FNA.Read More

Debater para poder resgatar e valorizar o uso da madeira na arquitetura e na construção civil. Este será o mote do evento virtual “Arquitetura do amanhã: projetando negócios sustentáveis” que será realizado no dia 11 de março, pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), com o Núcleo da Madeira e a AMATA. O encontro, que será gratuito, busca provocar o setor para o importante papel que tem na sociedade para minimizar o impacto ambiental, mostrando como suas escolhas ou indicações, que acontecem no dia-a-dia, podem fazer a diferença. A iniciativa faz parte de uma campanha maior que tem como objetivo, também, pavimentar um caminho para o diálogo entre os diversos atores da cadeia madeireira, além de estimular a troca de experiências e a transparência sobre a origem da matéria-prima.

Baseado na cidade de Piracicaba, desde 1995, o Imaflora é uma instituição sem fins lucrativos que tem como premissa a conservação das florestas tropicais brasileiras. A organização incentiva a boa prática do manejo florestal ao apostar na certificação socioambiental – como recurso de fomento à atividade produtiva– além de incentivar a implementação de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável combinado à gestão responsável dos recursos finitos da natureza.

Vantagens do uso da madeira

É possível elencar muitas vantagens no uso da madeira em construções, que passam pela logística – elas exigem apenas o transporte e a montagem no local da obra –, bem como pela redução em até 60% de tempo para a execução de um projeto que conte com estruturas pré-fabricadas, até chegar ao impacto ambiental positivo do uso do insumo renovável, resistente e reaproveitável. Em sua tese “A experimentação construtiva em madeira como instrumento de ensino-aprendizagem nas escolas de arquitetura”, a arquiteta e pesquisadora Mônica Duarte Aprilanti do Núcleo da Madeira, organização apoiadora da campanha, ao lado da AMATA, cita as benesses do manejo florestal sustentável e o uso diversificado e eficiente da madeira, como modelos para o bom uso da terra e para a política de recursos confiável e durável no longo prazo.

Segundo Leonardo Sobral, gerente de certificação florestal do Imaflora, a indústria da construção civil em madeira deve ser vista como uma oportunidade para novos negócios, incentivo às práticas sustentáveis, à qualificação e à transparência. “Com o evento queremos levar ao público, a discussão e o conhecimento sobre a origem dos produtos que são consumidos pela construção civil, em especial, a madeira. E destacar como é importante olhar para essa cadeia de suprimentos, entender sua origem assim como as técnicas construtivas que avançam no setor. A madeira de reflorestamento, por exemplo, é oriunda de árvores plantadas com pegada positiva em relação ao carbono, reduzindo  consideravelmente o impacto em comparação aos materiais como o concreto e aço”, destaca.

Confirmado na mediação do primeiro painel do evento, o engenheiro civil e presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) Olavo Kucker Arantes acredita que o país progrediu timidamente na prática sustentável, analisando o período de 1990 para cá. E, que, apesar do crescimento dos projetos com foco em sustentabilidade no país, o volume ainda é insignificante em comparação ao número de edificações erguidas anualmente.

“O evento é de extrema importância para criar e fortalecer o futuro da cadeia da construção civil. Caminhamos muito pouco no âmbito das ideias, mesmo com os grandes esforços de grupos que sentem e entendem o problema a fundo. Esses esforços ocorrem nas iniciativas públicas e privadas. Vários órgãos do Governo Federal têm desenvolvido iniciativas públicas bem interessantes ao longo dos anos, porém de pouco efeito prático nas edificações. Muitas empresas têm levado a sério o processo de classificar os fornecedores que sejam idôneos e comprometidos com a origem dos seus produtos, por outro lado temos uma infinidade que cumpre. Precisamos agir, pois os recursos são finitos e nossa população cresce em maior velocidade. Necessitamos otimizar o ambiente construído para que o espaço do ambiente natural que tanto precisamos seja preservado”, pontua.

As inscrições para o evento “Arquitetura do amanhã: projetando negócios sustentáveis” são gratuitas e podem ser feitas no link: https://www.imaflora.org/cursos-eventos/a1h2G000007n7wUQAQ

Sobre o Imaflora

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) é uma organização sem fins lucrativos, criada em 1995 sob a premissa de que a melhor forma de conservar as florestas tropicais é dar a elas uma destinação econômica, associada a boas práticas de manejo e à gestão responsável dos recursos naturais. O Imaflora busca influenciar as cadeias produtivas dos produtos de origem florestal e agrícola, colaborar para a elaboração e implementação de políticas de interesse público e, finalmente, fazer a diferença nas regiões em que atua, criando modelos de uso da terra e de desenvolvimento sustentável que possam ser reproduzidos em diferentes municípios, regiões e biomas do país.

Mais informações: www.imaflora.org

Programação:

16h – Abertura e boas vindas

Leonardo Sobral  (Gerente florestal do Imaflora) |

Marcelo Aflalo (Presidente do Núcleo da Madeira)

16h10 – Arquitetura no século XXI: uma visão do mercado Global

Palestrantes: Ana Belizário (Gerente de Projetos e Novos Negócios da AMATA)

Moderação: Olavo Kucker Arantes (Presidente do CBCS)

17h10 – A sustentabilidade possível: Desafios e oportunidades na arquitetura

Palestrantes: Helio Olga (ITA CONSTRUTORA)

Nicolaos Theodorakis(Noah)

Moderador: Fernando Mungioli(Publisher Arco Editorial)

18h10 – Encerramento

Duração

Das 16h00 às 18h10

Local

https://www.youtube.com/Imaflora

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Paredes, telhado, portão, encanamento e luz elétrica são alguns dos itens essenciais de uma casa. Para muitas pessoas de classes econômicas desfavorecidas, ter uma morada era um sonho distante, conquistado por programas de financiamento nos últimos anos. Porém, a necessidade do morar não se limita apenas ao residir: ter acesso digno às cidades e a The post Para além das paredes da casa appeared first on FNA.Read More

Paredes, telhado, portão, encanamento e luz elétrica são alguns dos itens essenciais de uma casa. Para muitas pessoas de classes econômicas desfavorecidas, ter uma morada era um sonho distante, conquistado por programas de financiamento nos últimos anos. Porém, a necessidade do morar não se limita apenas ao residir: ter acesso digno às cidades e a todos os dispositivos de lazer, cultura, educação e saúde que os territórios dispõem também é fundamental. É isso que destaca a arquiteta e urbanista e diretora do Sindicato dos Arquitetos no Distrito Federal (ArquitetosDF) Mariana Bomtempo, 30 anos, formada pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Design and Urban Ecologies pela Parsons -The New School, em Nova York (EUA).

Tendo trabalhado na Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab) na gestão do arquiteto e urbanista Gilson Paranhos, ela destaca a importância de que arquitetos e urbanistas trabalhem com a lógica de não apenas construir moradia, mas em fomentar instrumentos que liguem o acesso à moradia ao acesso à cidade. “Desde a faculdade, devemos formar estudantes sensíveis às problemáticas do espaço, da casa ao espaço urbano, para que em sua vida profissional eles possam atuar seja em iniciativas privadas, de pequenas às grandes empresas, ou em iniciativas públicas, nas prefeituras, na gestão das cidades brasileiras, para que possamos pensar em realidades diferentes daquelas que estamos vivendo”, afirma.

Confira a entrevista completa com a arquiteta e urbanista:

Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) – O acesso à moradia é diferente do acesso à cidade? Por que fazer essa diferenciação?

Mariana Bomtempo – Há um entendimento distorcido de que o acesso à moradia é apenas a resolução da falta de um abrigo ou um lugar. Não só no Brasil, mas em muitos lugares do mundo é comum entender que para morar basta um teto. O que falta para as pessoas e, principalmente, para os gestores das cidades entenderem é que se há a migração do campo para a cidade é porque existe a necessidade de trabalho, educação, lazer, dentre outras oportunidades que encontramos com maior facilidade no espaço urbano. Uma vez que essas atividades não são acessíveis àqueles que moram nas cidades, não há o acesso à moradia adequada, muito menos o direito à cidade.

Podemos citar como exemplo o caso de Brasília que, segundo estudo da OECD (Divided Cities, 2018), se destacou como aquela em que pobres e ricos estão espacialmente mais distantes uns dos outros na cidade. O estudo levou em consideração mais de 100 municípios no mundo, incluindo cidades no México e na África do Sul, este último onde houve o regime do Apartheid. Isso se deve a anos de políticas públicas que entendiam que prover um lote muito distante do Plano Piloto, muitas vezes sem infraestrutura urbana para as pessoas morarem, já significava acesso à moradia. Nunca se questionava o fato da infraestrutura já existir no centro, na região do Plano Piloto, além das oportunidades de emprego, acesso à educação e lazer. Essas pessoas tiveram que construir sozinhas suas cidades, as casas, os comércios, os espaços públicos, e ao longo de muitos anos demandaram do poder público a construção da infraestrutura e equipamentos, que ainda é de baixa qualidade. O programa Minha Casa Minha Vida é outro exemplo de acesso à moradia sem acesso à cidade, uma vez em que os empreendimentos são construídos distantes dos centros urbanos, demandando extensos custos de urbanização e transporte que encarecem a vida dos trabalhadores que moram ali.

FNA – Como os arquitetos podem fazer com que esses dois pontos andem juntos?

Mariana – São importantes as diversas atuações que os profissionais de arquitetura e urbanismo podem ter para viabilizar cidades mais inclusivas, também é importante para os profissionais entenderem que se trata de um processo e que demanda tempo para que as coisas aconteçam. Dito isso, desde a faculdade, devemos formar estudantes sensíveis às problemáticas do espaço, da casa ao espaço urbano, para que em sua vida profissional eles possam atuar seja em iniciativas privadas, de pequenas às grandes empresas, ou nas iniciativas públicas, nas prefeituras, na gestão das cidades brasileiras, para que possamos pensar em realidades diferentes daquelas que estamos vivendo.

FNA – Na sua opinião, o que contribui para a exclusão dos menos favorecidos do acesso às cidades?

Mariana – A dificuldade da classe média em entender que a cidade é composta pela diversidade, de pessoas, classes, raças, gêneros, e que ela é um reflexo da sociedade em que vivemos. É uma compreensão abstrata e que talvez nunca será resolvida, mas que precisa ser exposta e debatida para que não fiquemos cada vez mais reclusos em grupos homogêneos e distantes uns dos outros. Em Brasília, como cada região administrativa é construída para uma determinada classe com padrão social, é muito recorrente algumas situações que não fazem o menor sentido, como o bairro de Águas Claras que é composto por altos condomínios fechados, cheios de espaço pet, gourmet, kids, enfim, e que recentemente saiu na mídia local grupos de moradores que reclamavam do barulho das sirenes dos bombeiros nas ruas. Como discutir acesso à cidade diversa e democrática com uma sociedade que é construída dessa forma? Na minha dissertação de mestrado, eu especulei sobre o tema da educação urbanística nas escolas, partindo do mesmo entendimento do que foi a educação ambiental para as últimas gerações. Podemos ver como hoje a sociedade é mais sensível aos temas relacionados à preservação do meio ambiente que em gerações anteriores, isso é resultado de anos de educação ambiental nas escolas. Entretanto, ainda há muita dificuldade em entender que as cidades inclusivas são extremamente importantes para a própria preservação dos recursos naturais existentes.

FNA – Na live da FNA, você teceu algumas críticas sobre o programa Minha Casa Minha Vida, principalmente pelo fato de como o projeto foi criado. Por quê?

Mariana – O Programa foi criado pelo Ministério da Fazenda como uma demanda das grandes construtoras para investimento público na construção civil como desculpa de ser uma indústria que emprega bastante devido à baixa qualidade da mão-de-obra brasileira. E assim o programa tem um embrião semelhante ao que foi o BNH e deste modo repetiu os mesmos erros. Com a intervenção do Ministério das Cidades, foi acrescentada a faixa 1 ao atendimento das demandas e, com a pressão das organizações civis de direito à moradia, foi criado o MCMV Entidades. Estes foram os dois fatores que conseguiram inovar em relação ao que havia sido realizado durante a ditadura militar. Infelizmente, a massa dos investimentos do MCMV não foram direcionados a essas duas inovações.

FNA – Na sua experiência da faculdade, como o tema da Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (Athis) foi abordado? Acha que foi satisfatório?

Mariana – Apesar de eu ter estado na Universidade pública entre os anos de 2007 a 2013, a Lei 11.888/08 nunca foi ponto de discussão durante meus estudos. Somente os estudantes que estavam dentro do Escritório Modelo naquela época tinham algum tipo de interação com a Assistência Técnica. Na Universidade de Brasília, as disciplinas de Habitação Social e Planejamento Urbano eram disciplinas optativas quando eu era estudante, e se eu não me engano, continuam sendo.

FNA – Você trabalhou na Codhab na gestão de Gilson Paranhos. Como foi essa experiência?

Mariana – Foi uma experiência intensa e única na minha trajetória profissional. Feliz ou infelizmente, foi em um momento de grande sensibilidade pessoal, quando eu tinha acabado de retornar do mestrado fora do Brasil e tive muitas dificuldades emocionais em lidar com o trabalho. Durante quase dois anos, fiquei em um espaço dentro da comunidade, a princípio era cedido e depois era da empresa que havia licitado o contrato dos projetos de Melhorias Habitacionais. Inicialmente, era bastante confuso e solitário, já que ficávamos eu e uma estagiária apenas e as demandas eram bastante difusas. As pessoas que moravam no local, muitas vezes curiosas, se aproximavam e assim fomos criando alguns laços. Depois, com a chegada de alguns estudantes voluntários e assistentes sociais, o cotidiano foi ficando mais produtivo, conseguíamos dar encaminhamento para as demandas, que eram muitas. A pressão por parte da população era grande, mas pelo menos havia ali obras de infraestrutura urbana, o que gerava muitos problemas, e como eu era a única técnica do governo que estava mais perto, tinha que lidar. Ao mesmo tempo em que era muito gratificante ver realmente a mudança toda no espaço e na autoestima das pessoas. Foi uma oportunidade única. Além disso, fomos os primeiros a desenhar uma política pública de investimento de dinheiro público em moradias precárias, o que foi bastante difícil e inovador. Também foram as primeiras obras que geri na minha vida profissional, o que realmente não era muito fácil de lidar quando não se tem nenhuma experiência prévia com obras, muito menos com gestão de contratos. Escrevemos um livro sobre a experiência de quase toda a equipe que esteve em campo, a versão digital está disponível para compra pelo link: http://hotm.art/gM8xcUEu

FNA – Como iniciar uma carreira rentável e segura na Athis? O que você aconselha para quem está se formando?

Mariana – Eu não sei responder essa pergunta, afinal eu trabalhei com Athis dentro do governo com cargo comissionado e a carteira assinada, e reconheço o quão privilegiada fui, levando em consideração a realidade profissional da nossa classe. O que eu costumo aconselhar meus estudantes é para que eles olhem em volta deles mesmos, onde moram, suas famílias, amigos e vizinhos, e como a realidade desses locais podem ser diferentes. A Athis dentro do que está na lei, famílias até três salários mínimos, é uma política pública que deve ser custeada pelo Estado, assim como o SUS ou a Defensoria Pública, mas os recém formados, principalmente que moram na periferia, devem se reconhecer como agentes transformadores daquele espaço que eles habitam e conhecem tão bem. Não há a necessidade de continuarmos replicando profissionais que só sabem atuar para as classes mais ricas, pois assim eles não reconhecem nem sua própria realidade em seus trabalhos. É o que me move como professora que tenho atuado nos últimos três anos.

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O maior evento de arquitetura e urbanismo do mundo vai promover entre 22 e 25 de março a SEMANA ABERTA, período de debates do 27º Congresso Mundial de Arquitetura UIA2021RIO com especialistas de diversos países para discutir o tema FRAGILIDADES E DESIGUALDADES. Os encontros serão totalmente digitais e gratuitos mediante inscrição. A SEMANA ABERTA UIA2021RIO The post Semana Aberta do UIA2021Rio traz especialistas mundiais para debate virtual e gratuito appeared first on FNA.Read More

O maior evento de arquitetura e urbanismo do mundo vai promover entre 22 e 25 de março a SEMANA ABERTA, período de debates do 27º Congresso Mundial de Arquitetura UIA2021RIO com especialistas de diversos países para discutir o tema FRAGILIDADES E DESIGUALDADES.

Os encontros serão totalmente digitais e gratuitos mediante inscrição.

A SEMANA ABERTA UIA2021RIO será de conteúdos especiais e parte integrante do 27º Congresso Mundial de Arquitetos, promovido pela União Internacional de Arquitetos (UIA), pela primeira vez no Brasil. O 27º Congresso Mundial de Arquitetos está ampliado para facilitar a participação de pessoas de todo o mundo que teriam dificuldade para estar presentes no Rio de Janeiro.

De março a junho haverá uma extensa e intensa programação virtual, aberta a todos os continentes, trilíngue. Em julho, de 18 a 22, será presencial, com transmissão online. Os maiores nomes da arquitetura e urbanismo serão palestrantes, expositores e debaterão sobre o futuro da arquitetura e da cidade.

CONHEÇA OS DEBATEDORES DA SEMANA ‘FRAGILIDADES E DESIGUALDADES’

Fabienne Hoelzel
Fabienne Hoelzel teve uma experiência na Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) do Município de São Paulo e participou no Programa de Urbanização de Favelas (2009- 2012). Ela é fundadora do Fabulous Urban, escritório de Design Urbano e Pesquisa com sede em Zurique, Suíça, e filial em Lagos, Nigéria. Fabienne comenta no debate o projeto Makoko Neighbourhood Hotspot, um centro comunitário polivalente que faz uso de biogás.

Maria Alice Rezende de Carvalho
Historiadora e socióloga, Maria Alice Rezende de Carvalho faz uma análise ampla sobre as intervenções urbanas em favelas no Brasil, destacando o contexto político. A convite da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), Maria Alice participou da avaliação da primeira fase do Favela-Bairro, um dos mais destacados programas de urbanização de favelas, iniciado na década de 1980. Mais de 20 anos depois, a pedido do Instituto de Arquitetos do Brasil, ela elaborou um manual para ajudar os escritórios de arquitetura em seus diagnósticos sociais.

Alfredo Brillembourg
O arquiteto Alfredo Brillembourg é natural de Nova York e comanda o Urban-Think Tank (U-TT), escritório de design interdisciplinar em Caracas, na Venezuela. Seu foco é a inovação e a sustentabilidade em projetos para populações que vivem na informalidade – inclusive em razão de migrações. Em Nova York, fundou o laboratório de habitação urbana sustentável S.L.U.M. Lab.

Alejandro Echeverri
O colombiano Alejandro Echeverri é conhecido por um dos mais arrojados projetos de intervenção urbana e social – em Medellín, sua cidade natal, entre 2004 e 2008. Ele conta como a arquitetura é capaz de mudar comportamentos.

Jorge Jáuregui
O argentino Jorge Jáuregui trabalha há mais de 30 anos no Rio de Janeiro e acompanhou praticamente todas as iniciativas de urbanização de favelas já realizadas na metrópole. Além da falar sobre elas, ele também comenta as novidades de seus últimos trabalhos na República Dominicana.

 

PROGRAMAÇÃO DA SEMANA ABERTA

ARQUITETURA DA INCLUSÃO SOCIAL

22/03 09H (Rio de Janeiro, GMT-3)

Fabienne Hoelzel – SUIÇA

Maria Alice Rezende de Carvalho – BRASIL

Mediadora: Mariana Barros – BRASIL

 

O QUE É MESMO PERIFERIA?

23/03 09H (Rio de Janeiro, GMT-3)

Alfredo Brillembourg – VENEZUELA – EUA

Entrevistado por Fernando Serapião – BRASIL

 

ARQUITETURA NA FAVELA

24/03 09H (Rio de Janeiro, GMT-3)

Jorge Jáuregui – ARGENTINA/BRASIL

Alejandro Echeverri – COLÔMBIA

Mediadora: Evelise Grunow

“LIVE” FRAGILIDADES E DESIGUALDADES

25/03 11H (Rio de Janeiro, GMT-3)

Com debatedores e profissionais de destaque

Saiba mais e faça sua inscrição aqui

 

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